Mostrar mensagens com a etiqueta Política Internacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política Internacional. Mostrar todas as mensagens

domingo, dezembro 2

Venezuela: O movimento estudantil anti-Chávez


A Venezuela vai hoje a votos para se pronunciar sobre as mudanças constitucionais propostas pelo actual presidente, Hugo Chávez. Não sem antes ter assistido a uma das maiores manifestações dos últimos tempos naquele país, contra as suas intenções despóticas em instaurar um regime ditatorial de esquerda, por ele baptizado de “socialista”.
*
Com os partidos da oposição em farrapos e os seus líderes enfraquecidos pelas sucessivas vitórias de Chávez, são presentemente os estudantes que emergem como a consciência de um país em que muitos dos actuais opositores se tinham resignado, até há bem pouco tempo, à sua crescente influência.
Essa massa crítica jovem, a quem Hugo Chávez chama de “fascistas” e “meninos mimados”, apelidando os seus líderes de “terroristas”, faz parte de um grupo ecléctico de estudantes universitários, alguns provenientes de indiscriminados campus públicos e outros das escolas privadas da elite.
Por outro lado, também é certo de que existe um movimento estudantil pró-Chávez cujo número, segundo o presidente, supera o movimento oposicionista que Chávez desacredita, acusando-o de ter ligações com os oligarcas que pretendem governar a Venezuela.
*
Os líderes do movimento estudantil da oposição, provêm de universidades da elite, como a Andres Bello, a proeminente universidade católica de Caracas, constando também, através de dados disponibilizados pelo departamento do National Security Archive da Universidade George Washinghton, de que foram atribuídos fundos a estudantes no valor de $ 216,000, a partir do ano de 2003 até à data, ao abrigo de programas denominados: “resolução de conflitos”, “promoção da democracia”, etc.
O autor da pesquisa, Jeremy Bigwood, teve acesso a outros documentos que comprovam a ajuda dos Estados-Unidos aos grupos estudantis anti-Chávez, reveladores da intenção da Administração Bush em medir o pulso a este movimento, apesar da porta-voz da embaixada norte-americana em Caracas negar o apoio dos Estados-Unidos aos partidos políticos da oposição, salientando ser este unicamente extensivo à “actividade não-partidária da sociedade civil”.
*
Não obstante, e segundo a opinião deste pesquisador, o apoio dado pelos Estados-Unidos ao movimento estudantil anti-Chávez não influi significativamente nas motivações que opõem este movimento às mudanças políticas do actual presidente venezuelano.
Muitos dos estudantes que compõem esse movimento são oriundos da maior universidade pública do país, a Universidad Central de Venezuela, que tem cerca de 40.000 estudantes. Aqui os estudantes são decididamente de esquerda, em princípio opositores da Administração Bush, mas alinhando por uma esquerda moderada que tem alimentado, do ponto de vista ideológico, as diferentes eleições de governantes na América do Sul.
*
Stalin Gonzalez, um estudante de direito de 26 anos, é um dos líderes. O seu pai, um antigo membro do “Movimento Bandeira Vermelha” tinha tanta afinidade com a esquerda política que nomeou os seus três filhos de Stalin, Lenin e Engels Gonzalez.
Este jovem considera, no entanto, que Chávez não é um politico de esquerda, mas um autocrata cuja administração pretende tão somente acumular poder. Stalin Gonzalez mostra-se particularmente preocupado quanto às alterações à Constituição que permitirão ao presidente manter-se no poder indefinidamente.
Contudo, o propósito deste movimento estudantil, onde se incluem igualmente outros estabelecimentos de ensino superior, como a Yon Goicoechea e a Freddy Guevara, ambos pertencentes à universidade católica Andres Bello, não é destronar Chávez, mas combater o Referendo e, no próximo ano, promover uma reconciliação nacional com vista a um país mais polarizado do ponto de vista político.
“Isto não é uma guerra entre esquerda e direita. Acreditamos que a Venezuela tem que ter democracia. Democracia significa respeito. Democracia significa expressão livre. Democracia significa poder dizer-se o que se quer sem se ser reprimido”, diz Stalin Gonzalez.
*
Bernardo Alvarez, o embaixador da Venezuela em Washington tenta desvalorizar a importância do movimento estudantil, ao colocar questões que o implicariam com a classe política tradicional. Mas as manifestações estudantis têm estado presentes em todos os momentos-chave de protesto contra as decisões autocráticas de Chávez, como no caso do encerramento da estação de televisão privada Rádio Caracas Television e agora contra a campanha governamental pró-Referendo. Os estudantes são unânimes em afirmar que o seu movimento não pode ser sustido; eles são o futuro do país.

Fonte: The Washington Post

quinta-feira, setembro 13

Putin-Chávez, o mesmo combate


Carismáticos e autoritários, os presidentes russo e venezuelano têm muito em comum, a começar pela sua vontade de se opor a Washington
*
*
Se a Rússia e a Venezuela se tornaram aliados políticos, nomeadamente na luta contra um “mundo unipolar”, esse facto é, em parte, devido à semelhança entre os seus presidentes, que usam o seu carisma e a sua popularidade para conduzir uma política de Estado forte nos seus respectivos países, no plano interno e, também, no plano das relações internacionais.
Existem muitas analogias entre a Venezuela e a Rússia, apesar das diferenças, do ponto de vista territorial e populacional. São dois dos maiores produtores e exportadores no mundo de hidrocarbonetos. A conjuntura favorável dos mercados mundiais, assegura-lhes elevados rendimentos, o que os conduz a uma cooperação estreita, no sentido da criação de uma política comum para este sector.

Ambos os presidentes pertencem à mesma geração, têm quase a mesma idade, (Putin, 55 anos e Chávez 53), para além de muitos pontos em comum. Ambos acederam ao poder por altura da mudança do século, um em Fevereiro de 1999, o outro no início do ano 2000. Relativamente jovens, enérgicos e dinâmicos, têm aprox., a mesma estatura e a mesma silhueta de tronco largo e curto. Os dois provêm de famílias desfavorecidas e seguiram a carreira militar: Chávez é um tenente-coronel da Armada e Putin um coronel do KGB. Ambos partilham o gosto pelo desporto: Chávez é apaixonado pelo baseball e Putin pelo judo e pelo ski.
Tanto um como o outro gostam de se expor e têm uma inclinação pela extravagância. Putin adora sair a bordo de um cruzeiro de onde assiste a treinos de tiro ao alvo, ou conduzir um tractor num campo. Chávez gosta de se perfilar nas paradas militares, vestido com uniforme de pára-quedista com béret a combinar, dando assim a entender a sua vontade férrea em enfrentar o inimigo e a sua determinação em vencê-lo. Os russos não esquecerão tão depressa as palavras de Putin quando afirmava que o poder iria “colocar os bandidos atrás das grades” ou quando convidou um jornalista francês numa conferência de imprensa a “vir a Moscovo circuncidar-se”. Nas vésperas do referendo de 1999, ao interpelar os seus opositores, Hugo Chávez exclamava: “eles grunhem como os porcos que são levados para o matadouro”.

Putin e Chávez são estadistas sem complexos. Hugo Chávez utilisa uma fórmula que traduz fielmente a especificidade da sua partilha de ideais em torno desta questão-chave: “ Tanto Estado quanto necessário, tanto mercado quanto possível”. Do ponto de vista formal, esta afirmação faz crer que o objectivo é a procura da harmonia entre Estado e mercado, mas, do ponto de vista substantivo, o que significa é fazer prevalecer o Estado sobre a iniciativa privada. Os dois presidentes têm tendência a considerar o Estado, não como um conjunto de instituições ao serviço da sociedade, dela dependendo, mas como uma criação autónoma, única fonte do exercício do poder. Os dois países são repúblicas federativas em que o âmbito dos poderes do presidente é muito alargado, apesar destes dois chefes de Estado considerarem estes poderes insuficientes para a realização dos seus projectos. Hugo Chávez chegou à presidência reclamando uma nova Constituição e a reorganização total do Estado. Em pouco tempo, mandou redigir uma nova Constituição que foi adoptada. Hoje, a Câmara alta do Parlamento, tendo-se tornado “inútil”, foi liquidada.

Putin começou por construir uma sólida “ vertical do poder”, dividindo a Rússia em sete distritos administrativos, elegendo os seus representantes através de nomeação directa. Seguidamente, procedeu à reorganização do Conselho Federativo, reduzindo pouco a pouco as prerrogativas das regiões em benefício do centro.
Tudo leva a crer que é intenção destes dois homens permanecer muito tempo no poder.
No espaço de menos de um ano após a eleição de Chávez para a presidência, em Dezembro de 1999, um referendo aprovava a nova Constituição que continha, além de outras, duas alterações de fundo: o presidente, no termo do seu anterior mandato presidencial, poderá candidatar-se a novo mandato, cujo prazo foi, entretanto, alargado de 5 para 6 anos. A sua intenção é claramente a de deter o poder por tempo indeterminado, tendo por base a seguinte teoria: “Penso que, se o povo assim o desejar, não deverá ser privado do direito de reeleger todo e qualquer compatriota pela terceira, quarta, quinta ou sexta vez, a fim de que ele possa dirigir o navio do Estado”, de acordo com declarações por si proferidas.

Na Rússia, cada vez mais vozes se levantam, com a afirmação de que o prazo previsto na Constituição é demasiadamente curto para pôr em prática o programa presidencial. A diferentes níveis, são lançados balões de ensaio, a fim de testar a opinião pública. Em declarações recentes, Vladimir Putin afirmou que seria bom que o mandato presidencial fosse alargado para cinco anos ou mesmo sete.
Por outro lado, e apoiando-se num decreto da Corte Constitucional, deu luz verde para que os poderes dos responsáveis das várias regiões fossem prorrogados.
Nos círculos dirigentes dos dois países, promove-se activamente a ideia de que os presidentes actuais são leaders de envergadura nacional cujos nomes estão associados às transformações radicais: assim sendo, estes homens deverão permanecer no topo da pirâmide do poder o maior tempo possível.

Na Rússia, a vitória da candidatura de Sotchi para a organização dos jogos olímpicos de Inverno de 2014, suscitou uma nova vaga de discussões no sentido da necessidade de manter Putin no poder. Foram muitos os políticos que declararam ser impossível imaginar outra pessoa no comando do Comité da organização dos JO – e muito menos ainda no comando do país. Também, se a Constituição russa proíbe a um chefe de Estado de se candidatar a um terceiro mandato sequencial, não o impedirá de o fazer num mandato posterior.
Os dois presidentes têm uma enorme tendência em nomear militares para postos dirigentes, incluindo os elegíveis, que passaram a abundar nas estruturas do poder. Putin lançou uma franca ofensiva contra os “oligarcas”, para tentar afastá-los do poder político e também do económico. Chávez intensifica as suas pressões sobre os capitais do mundo dos negócios. Na prática, os dois presidentes procedem à “desprivatização” do sector petrolífero. Mas, na Venezuela, ao contrário da Rússia, a nacionalização foi anunciada oficialmente.

"Dois países que se encontravam de joelhos, Dois países que se reerguem”

A visão de ambos em termos de segurança nacional é muito semelhante. A Rússia tornou pública a sua doutrina sobre a “segurança da informação”, destinada a acompanhar de perto os fluxos informativos. Medidas análogas foram adoptadas na Venezuela. Em teoria, subsiste a liberdade de expressão e a de imprensa, mas estão sujeitas a fortes pressões. Os dois países disponibilizam importantes meios para promover a sua imagem no estrangeiro, tendo criado, para o efeito, cadeias de televisão que emitem em línguas estrangeiras.
Os dois países concordam na necessidade de fomentar um mundo multipolar, adoptando uma política de contrabalanço ao poder e à influência dos Estados-Unidos no mundo.
Hugo Chávez não esconde a sua admiração pelo discurso de Putin em Munique, e partilha na íntegra, as suas posições sobre o Kosovo, assim como a sua rejeição na implantação, na Europa de Leste, dos escudos anti-míssil norte-americanos.
Vladimir Putin criticou veementemente, aquando do Fórum económico de São Petersburgo, em Junho último, a incapacidade do FMI e do Banco mundial em responder aos desafios do nosso tempo. Hugo Chávez, por seu lado, declarou, aquando da cimeira energética da América do Sul, realizada em Abril, que o seu país iria cortar os laços com estas organizações. Aquando da sua intervenção no fórum económico Rússia-Venezuela, que teve lugar em Moscovo, em Junho, Chávez sublinhou: “ Tanto a Venezuela para a América, como a Rússia para a Europa e a Ásia, são fontes de distribuição de gás e petróleo”. Outra das afirmações que aproxima os líderes destes dois países, foi a proferida pelo líder venezuelano: “ Trata-se de dois países que renascem. Encontravam-se de joelhos, a partir de agora reerguem-se.”

Emile Dabaguian,Vremia Novostieï


terça-feira, setembro 4

Parceria AP-6 - Mudanças climáticas


Não há-de faltar muito tempo para que o Canadá venha a fazer parte daquele que é descrito como o “clube dos cépticos” do protocolo de Kyoto, a chamada Parceria Ásia-Pacífico para o clima. Este grupo de seis países (Estados-Unidos, Austrália, Coreia do Sul, Japão, China e Índia) prefere contar com a boa vontade dos países e com o avanço da tecnologia, como solução para a redução das emissões de gás com efeito de estufa, em vez de ter que obedecer às normas internacionais estabelecidas pelo protocolo de Kyoto.
Altos funcionários canadenses que irão acompanhar o primeiro-ministro Stephen Harper à Austrália para a cimeira Ásia-Pacífico (APEC) a realizar na próxima semana, confirmaram, em conferência de imprensa, que o Canadá irá oficialmente solicitar a sua adesão ao grupo dos seis, nomeado AP-6, para as questões climáticas, na esperança de vir a ser aceite como membro pelo referido grupo, com o qual partilha já outros interesses.
Esta parceria ainda não agendou os pontos a serem discutidos nessa cimeira, quanto ao objectivo e à obtenção de resultados vinculativos sobre a questão da redução das emissões de gás com efeito de estufa. Trata-se essencialmente de dar início às discussões, que serão encabeçadas pelos dois países que sempre se opuseram às determinações de Kyoto, o Japão e a Austrália, e que, no passado, tentaram convencer outras nações a virar as costas aos objectivos traçados pelo referido protocolo.

A algumas semanas do início das negociações internacionais que irão levar à segunda fase do protocolo de Kyoto, os ambientalistas não estão seguros de que o sinal enviado pelo Canadá traga algo de positivo.
O primeiro-ministro Harper, aproveitará a cimeira da APEC que reune 21 chefes-de-Estado cujos países são banhados pelo oceano Pacífico, e que terá lugar em Sidney, nos dias 8 e 9 de Setembro, para, à margem desta cimeira, formular o seu pedido oficial de adesão ao grupo dos seis (AP-6), cuja Parceria funciona autonomamente em relação aos países que constituem a APEC.
Harper é um grande defensor da Parceria AP-6 para o clima, que foi lançada pela Austrália e pelos Estados-Unidos em Julho de 2005, tendo a primeira reunião tido lugar em Janeiro de 2006.
Quando o primeiro-ministro australiano John Howard visitou o Canadá em Maio de 2006, referiu que se tornava necessário encontrar um meio de reduzir as emissões de gás com efeito de estufa sem ser necessário pagar um preço do ponto de vista económico. Apesar dos ambientalistas estarem convencidos que a solução passa pelo protocolo de Kyoto, John Howard entende que a Parceria AP-6 está mais perto de atingir essa solução.
O optimismo à volta das suas declarações, deve-se ao facto de esta Parceria incluir os principais países emissores de CO2, os Estados-Unidos, a China e a Índia, esperando-se, assim, que uma solução venha a ser encontrada, como é do seu interesse, apesar de ainda não se conhecerem as medidas que irão ter lugar, e que resultarão dos benefícios propostos pelo avanço tecnológico.

Ao contrário das reuniões sobre Kyoto, tidas no âmbito da ONU, não são admitidos representantes da sociedade civil nos encontros da Parceria AP-6, pelo que é difícil conhecer o conteúdo das respectivas discussões. Por outro lado, examinando o organigrama do grupo, constata-se que os Estados-Unidos dirigem o comité mais importante que supervisiona todas as reuniões (Policy and Implementation Committee), assim como o comité encarregado pelo suporte dos trabalhos dos oito comités sectoriais (Administrative Support Group). O Japão que é o único país da Parceria AP-6 a participar activamente na fase actual de Kyoto, tem um papel marginal no seio deste grupo.

As associações ambientalistas do Canadá não vêm com bons olhos a participação do seu país neste reagupamento da AP-6, que não é bem tolerado pelos Estados que compõem Kyoto, sendo o Canadá um deles, apesar de ter virado as costas aos objectivos do protocolo.
Na opinião de Clare Demerse, analista política no Instituto Pembina, as démarches a serem realizadas pela AP-6 no âmbito desta temática, restringir-se-ão a meras discussões e declaração de intenções, não se prevendo dali obter resultados concretos; essa é a grande diferença em relação a Kyoto. Contudo, torna-se urgente agir contra as mudanças climáticas, pelo que seria uma verdadeira catástrofe que da parte dos intervenientes em todo este processo, fosse dada maior ênfase à Parceria AP-6 do que às disposições estabelecidas pela segunda fase de Kyoto.
Um outro analista político, Jean-François Nolet afirma que esta Parceria foi criada pelos Estados-Unidos e pela Austrália com o fim de desviar as atenções do protocolo de Kyoto, e tentar diluir as negociações sobre o tema, e acusa o actual governo do Canadá, conservador, de ter tendência a jogar o “cavalo de Tróia” nas negociações internacionais sobre as mudanças climáticas, tendo-se colocado claramente ao lado dos dois países fundadores da referida Parceria

Fonte: Le Devoir, Ottawa, Canadá

domingo, agosto 19

A bolioligarquia de Hugo Chávez


O petróleo ao serviço da causa socialista é a imagem da Venezuela que Hugo Chávez pretende transmitir para o exterior. Mas esta imagem de socialismo não é mais do que a aliança entre um populismo militar e um estatismo neo-marxista, aos quais Chávez se propõe subjugar o seu país.
A realidade, bem diferente deste cenário ideal de democracia ao serviço do povo venezuelano, é traduzida pelo crescente número de agricultores e pequenos industriais que vêem as suas actividades paralisadas, em virtude de não conseguirem competir com os preços dos produtos importados dos países periféricos, nomeadamente o Brasil. É o caso da cadeia brasileira de comércio grossista Mercal que tem vindo a enriquecer com o fornecimento de frango congelado para o mercado venezuelano, enquanto que os ranchos locais estão praticamente extintos, ameaçados pelas expropriações e pelo controlo dos preços. As suas terras correm o risco de ser invadidas, e os rancheiros estão constantemente a ser alvo da prática de extorsão e sequestro por parte de gangues criminosos.
O “chavismo” que, por sua vez é um produto que veio suprimir as carências e as misérias provocadas pelos regimes anteriores, está a alimentar o ressurgimento de uma nova classe na Venezuela, a boli-burguesia, identificada pelos novos-ricos que crescem à sombra do “socialismo bolivariano”, protegidos pela riquíssima infra-estrutura petrolífera do Estado. Nas ruas de Caracas proliferam os 4x4 novos. Os melhores restaurantes estão sempre superlotados e os importadores de whisky, assim como os “art dealers” vivem momentos de grande prosperidade.
O sector bancário é o mais favorecido pela economia venezuelana. Devido à elevada procura externa do crude e, consequentemente, ao aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, a economia apresenta um crescimento de 10 % ao ano, enquanto que os índices de inflação traduzem um aumento de 20 %, e o câmbio oficial da moeda é duas vezes superior ao da sua cotação no mercado negro.
Sob o seu regime bolioligárquico, onde reina o tráfico de influências, o conhecimento político certo significa a password de acesso ao universo do enriquecimento fácil e ilícito, sob o signo de uma nova ordem que estabelece incondicional obediência política.

Fonte: The Economist print edition,
*******Aug 9th, 2007