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sábado, junho 16

Um exemplo de um Momento Chávez



…porque nos tornámos, realmente, num país de bananas onde cada vez menos fazem frente ao candidato a autocrata que manda neste canto da Europa. País onde se dobra a espinha, se mendigam benesses, se calam opiniões, se vive acobardado, se justifica tudo remetendo não para a inteligência, mas para as conveniências.”
Do editorial do Público de 15.06, assinado por José Manuel Fernandes

O desespero de José Manuel Fernandes na luta pela sobrevivência do jornal onde trabalha, face à pressão que deve estar a ser alvo por parte da sua entidade patronal, o grupo Sonae, que não viu viabilizada a OPA à Portugal Telecom e cuja culpa atribui ao governo, é tanto que o leva a escrever estas palavras, as mesmas que eventualmente justificariam a atitude do governo se tivesse exercido o seu poder de influência para que a OPA da Sonae à PT resultasse num êxito.
Que a senhora em foco no seu artigo roça alguma boçalidade, é verdade. Que utilizou critérios bastante discutíveis que vieram a servir de base à instauração de um processo disciplinar, também é verdade. Mas, convenhamos, demitir a senhora em questão, que conduzida por um excesso de zelo ousou ofender a dignidade de um seu subalterno, instaurando-lhe um processo disciplinar, e pôr em causa um dos princípios basilares da democracia representativa, o da liberdade de expressão, mesmo que traduzida em ofensas aos nossos governantes, isso também é demais! Uma cedência desse tipo por parte do governo, configuraria uma manifesta atitude de fragilidade. E um governo fragilizado perante os cidadãos, perante os seus eleitores, é um governo que não consegue pôr em prática a política de reformas a que se propôs e que consta do seu programa de governo. Pois, é que existem pessoas que não convivem bem com a estabilidade política e muito menos com a cooperação estratégica.
Mas, eu, parafraseando o povo, vou "dar-lhe um desconto", pelos muitos e bons artigos com que ele já nos brindou ao longo da sua carreira jornalística.